2018-05-10


U2

Bélgica/Amesterdão

Esta viagem tinha um gostinho especial. Já agora quem vai a Bruxelas dá um saltinho a Amesterdão...

Em 1987 eu tinha 12 anos. O Joshua Tree foi o meu 1.º Vinil comprado em 2.ª mão! Um anúncio na secção de “Trocas e  Vendas” do Jornal Blitz levou-me da Maia, onde morava, à invicta mais concretamente à porta da “Tubitek”! Mas a “Tubitek” era só ponto de encontro. Este Vinil vinha já com a Anabela, a autora do anúncio, e que se tornaria daí em diante uma colega para um café mensal, com o pretexto de compra de mais um Vinil, de U2, desde o “Boy” até ao “Unforgattable fire”. Um acordo escrupulosamente cumprido por ambas as partes. E lá ia eu de tenra idade, apanhar o “54” no centro da Maia para descer nos Aliados...
30 anos depois os rapazes partem em digressão para comemorar, e eu, enchi o depósito, juntei o útil ao agradável e fui lá ver e ouvir, um dos discos que esteve indiscutivelmente na origem de me ter tornado músico.



A estrada para Bruxelas era em parte já conhecida. Como é costume por estas ocasiões a ansiedade inibe o sono e qualquer lugar se presta para um breve repouso.



A noite já ia alta e com um pequeno desvio a Torre Eiffel não estava longe. Foi só fazer cálculos para ver o dia acordar na cidade das luzes, onde luz mais bonita não há do que a luz do nascer do dia.





Pela hora de almoço já estava em Bruxelas. Há muitos e bons motivos para visitar esta cidade tão europeia. Um deles é a cerveja artesanal que por fora e por dentro se impõe com arte.



Mas o meu destino para a 1ª noite em cama dormida desde que saíra do Porto seria em Bruges. Há muito tempo que queria conhecer esta cidade medieval conhecida como a “Veneza do Norte”. A mim pareceu-me extraordinariamente bonita, e apesar de turística, ainda se respira…



No dia seguinte rumava a Amesterdão. Pelo caminho os Moinhos de Vento são apelo a alguns desvios. Parecem estar próximos mas fintam-nos em quarteirões como se brincássemos às escondidinhas.



Ao fim da tarde a descontraída cidade de Amesterdão…



Novamente a caminho de Bruxelas faltavam já poucas horas para o concerto. Por essa hora já os portões do estádio estavam abertos mas era impossível não ir espreitar a cidade.



Agora sim, 30 anos depois estava prestes a ouvir na integra o alinhamento do “Joshua Tree”. Foi ainda com luz do dia que o coletivo subiu ao palco com o “ganda” som dos “Waterboys” em “The Whole of the Moon” a estourar nas colunas. Retro, mas mágico, foi curiosamente um dos momentos mais emocionantes do concerto. Depois foi um desfilar de canções que compuseram a minha pré adolescência. Sei o alinhamento do album de cor, e tocou pela mesma ordem…não tinha o “power” do vinil, claro, nem eu tinha 12 anos, mas a justiça fez-se, e ficou provado a enormidade de algumas daquelas canções, intemporais, emocionais, libertadoras, também elas fortemente inspiradas pelo “sonho americano”.



No dia seguinte já passava das 13h quando iniciei o regresso ao Porto. E nada mais me deteve. Saudades?! Ou simplesmente o prazer de rodar o punho?!…foi uma direta com pouco mais de 1800 Kms! Mas nas calmas… 20 horas a rolar com as pausas que se impunham. Haverão 30 anos para comemorar o “Achtung Baby”?!

Saberemos em 2021!




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